Como funcionam as vacinas contra a covid-19 e quais podem apresentar menos efeitos colaterais? Especialista explica

Desde que passou a ser considerada uma pandemia, a situação provocada pelo novo coronavírus mobilizou a comunidade científica de todo o mundo. Especialistas e grandes instituições iniciaram, então, uma busca incessante por uma vacinas que pudessem ajudar a controlar o caos causado pela covid-19.

Em tempo recorde, centenas de estudos estavam em desenvolvimento e, antes mesmo da pandemia completar um ano, a humanidade já conhecia alguns imunizantes que auxiliariam nessa batalha.

No Brasil, assim como em outros países, um órgão de saúde é o responsável por avaliar cada uma das vacinas existentes e liberá-las ou não para o uso na população. Até hoje, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu o registro de seis imunizantes: Pfizer/Cominarty, AstraZeneca/Oxford/Covishield, CoronaVac/Sinovac, Janssen, Covaxin e Sputnik. Contudo, apenas quatro deles estão em uso atualmente.

Foto: Ilustrativa/Pixabay

Diferenças

Em entrevista (acesse o meu canal “Repórter Saúde, Fernando Beteti” no YouTube), o médico infectologista Edimilson Migowski explicou as principais diferenças entre as vacinas disponíveis no País.

Segundo ele, a Coronavac é um imunizante obtido por meio de um vírus inativado. Trata-se de uma tecnologia já muito conhecida pela ciência e um tipo de recurso utilizado para produção de vacinas contra outras doenças, como a gripe e a hepatite A. “Eles pegam o vírus que causa o coronavírus inteiro, replicam em laboratório, inativam e é esta a vacina. É um vírus inteiro inativado”.

O infectologista destacou que a Coronavac é muito segura, mas tem menor eficácia que a Astrazeneca, por exemplo. Tanto esta, quanto a Sputnik e a Janssen são vacinas desenvolvidas a partir do adenovírus. “Pegaram o adenovírus, o modificaram geneticamente, jogaram um RNA do coronavírus de tal forma que esse adenovírus passasse a expressar na sua superfície a ‘roupa’ do coronavírus”, explicou o médico.

Apesar da alta eficácia, a Astrazeneca, ressaltou o especialista, vem apresentando algumas alterações em alguns casos raros. “É uma vacina que a gente também chama de vacina inativada, mas essa vacina, não sei se por causa do próprio adenovírus, vem mostrando tendência para fenômenos tromboembólicos. E esse tipo de alteração é grave. Dependendo da situação em que você esteja inserido, pode ser que essa vacina não venha a ser utilizada”.

Outro imunizante disponível é o produzido pela Pfizer. “É uma vacina também feita com engenharia genética, onde se pegou um pedacinho do RNA do vírus, responsável por fazer a ‘roupa’ do vírus, se colocou um invólucro de gordura e se aplicou a vacina. Esse RNA entra na célula e faz com que ela produza os pedaços da proteína S [do coronavírus]”, afirmou Migowski.

De acordo com ele, a vacina também é considerada inativada e com um perfil de segurança bom. “Porém, observou-se em jovens, de ambos os sexos, uma tendência maior com a vacina da Pfizer de miocardite e pericardite, ou seja, uma inflamação no coração. A princípio, seria de menor gravidade do que uma trombose no sistema nervoso central, mas que pode ocorrer”, explicou.

Efeitos colaterais

Considerando todos os efeitos colaterais possíveis, o médico explicou que, se fosse para elencar as vacinas contra covid-19, começando pelas que apresentam menos efeitos colaterais, a primeira da lista seria a Coronavac. “Hoje, a vacina de maior segurança é, na minha opinião – e tomando por base as pesquisas -, a Coronavac. Hoje, eu colocaria a Coronavac como sendo a vacina mais segura. A segunda mais segura é a vacina da Pfizer. Já a terceira, que me preocupa um pouco mais, é o grupo das vacinas que tomam por base o adenovírus. É o caso da Janssen, Sputnik V e Astrazeneca”.

Para ele, apesar da segurança apresentada por todas as vacinas, ainda há margem para a possibilidade de a pessoa se infectar, já que nenhuma delas é 100% segura. “As pessoas que estão vacinadas tendem a achar que aquele quadro respiratório que teve depois de um mês e meio, dois [meses] depois de terminada a vacina, que aquilo não se trata da covid porque está vacinada. [É preciso] lembrar que, o fato de você estar vacinado, diminui as chances de você adoecer, diminui as chances de você adoecer de forma grave, mas reduzir as chances não é zerar as chances”, considerou.

A entrevista sobre as vacinas contra covid-19 concedida pelo infectologista Edimilson Migowski e que foi transmitida ao vivo pelo meu canal no Youtube. Assista abaixo:

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